O Rio Grande do Sul colheu em 2026 a maior safra de soja da sua história, com produção estimada em 22 milhões de toneladas. O milho também registrou volumes recordes, impulsionado por condições climáticas favoráveis e pela expansão da área plantada no norte do estado.
Os números são motivo de celebração para produtores e cooperativas. Mas a euforia da colheita esbarra em um problema antigo: como escoar toda essa produção? A infraestrutura de transporte no Rio Grande do Sul ainda é insuficiente para absorver volumes recordes sem congestionamentos e perdas.
A BR-386, principal corredor de escoamento da produção do norte gaúcho, opera com saturação em períodos de pico. O porto de Rio Grande, principal saída marítima do estado, enfrenta filas de navios que chegam a duas semanas nos meses de maior movimento.
Investimentos em ferrovias e na ampliação da capacidade portuária estão previstos, mas os prazos de execução são longos. No curto prazo, produtores e cooperativas buscam alternativas como o uso de portos paranaenses e a armazenagem local para aguardar janelas de escoamento mais favoráveis.
O impacto financeiro é real. Cada dia de espera no porto representa custo de armazenagem e risco de variação de preço. Para pequenos produtores sem capital de giro, a pressão para vender rapidamente pode significar preços abaixo do potencial.